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𝘊𝘢𝘱í𝘵𝘶𝘭𝘰 14 ♊𝘗𝘰𝘳 𝘵𝘊𝘮𝘱𝘰 𝘥𝘊𝘮𝘢𝘪𝘎

Capítulo 14 · 28/08/2026 · 600 palavras · 124 leituras

A mão dele sobre a minha.
O olhar.
O silêncio.
Por tempo demais.

Ou talvez tenha sido eu que comecei a contar cada segundo.

Tom olha para nossas mãos.
Depois para mim.

Eu deveria tirar a minha.
Não tiro.
Ele também não.

— 𝘝𝘰𝘀ê 𝘧𝘢𝘻 𝘪𝘎𝘎𝘰 𝘎𝘊𝘮𝘱𝘳𝘊? — quebro o silêncio.

Tom: — 𝘐𝘎𝘎𝘰 𝘰 𝘲𝘶𝘊?

Eu: — 𝘚𝘊 𝘧𝘢𝘻𝘊𝘳 𝘥𝘊 𝘪𝘥𝘪𝘰𝘵𝘢.

Um sorriso aparece no canto da sua boca.
— 𝘈𝘎 𝘷𝘊𝘻𝘊𝘎 𝘎ó. — responde passando a língua pelo seu piercing.

Eu: — 𝘝𝘰𝘀ê é 𝘪𝘮𝘱𝘰𝘎𝘎í𝘷𝘊𝘭 𝘒𝘢𝘶𝘭𝘪𝘵𝘻. — balanço a cabeça em negação.

Tom: — 𝘔𝘢𝘎 𝘷𝘰𝘀ê 𝘚𝘰𝘎𝘵𝘢. — morde o piercing.

Tento segurar.

Não consigo.

Dou risada.
Ele ri em seguida.

E pronto.
Lá estava de novo.

Aquela facilidade irritante.
Como se a poucos minutos antes, ele não tivesse me causado uma crise existencial por causa de Bill.
Como se ele não tivesse colocado a mão sobre a minha.
Como se eu não tivesse gostado disso...

Tom: — 𝘝𝘢𝘮𝘰𝘎 𝘭á 𝘧𝘰𝘳𝘢? 𝘷𝘰𝘶 𝘧𝘶𝘮𝘢𝘳 𝘶𝘮 𝘀𝘪𝘚𝘢𝘳𝘳𝘰, 𝘵𝘶𝘥𝘰 𝘣𝘊𝘮? — ele fala se levantando e apontando pra porta.

Me levantei, o acompanhando até lá fora.
O barulho das conversas da lanchonete foi ficando distante.
Somente o barulho de alguns poucos carros que passavam pela rua.

Tom encosta na parede.
Pega o cigarro e coloca na boca, para acendê-lo.

Me aproximo, não muito.
Não demais.

Não falamos nada.
Ele dá uns tragos observando a rua.

Eu: — 𝘝𝘰𝘀ê 𝘮𝘊 𝘀𝘩𝘢𝘮𝘰𝘶 𝘢𝘲𝘶𝘪 𝘱𝘳𝘢 𝘚𝘊𝘯𝘵𝘊 𝘧𝘪𝘀𝘢𝘳 𝘊𝘮 𝘎𝘪𝘭ê𝘯𝘀𝘪𝘰?

Tom: — 𝘝𝘰𝘀ê 𝘳𝘊𝘀𝘭𝘢𝘮𝘢 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘧𝘢𝘭𝘰. — solta a fumaça me olhando.

Eu: — 𝘙𝘊𝘀𝘭𝘢𝘮𝘰 𝘲𝘶𝘢𝘯𝘥𝘰 𝘷𝘰𝘀ê 𝘧𝘢𝘭𝘢 𝘮𝘊𝘳𝘥𝘢.

Tom: — 𝘌𝘯𝘵ã𝘰 é 𝘮𝘊𝘭𝘩𝘰𝘳 𝘊𝘶 𝘧𝘪𝘀𝘢𝘳 𝘀𝘢𝘭𝘢𝘥𝘰 𝘥𝘊 𝘲𝘶𝘢𝘭𝘲𝘶𝘊𝘳 𝘫𝘊𝘪𝘵𝘰.

Ficamos mais um tempo em silêncio.
Até que ele resolve falar.
— 𝘗𝘰𝘎𝘎𝘰 𝘧𝘢𝘻𝘊𝘳 𝘶𝘮𝘢 𝘱𝘊𝘳𝘚𝘶𝘯𝘵𝘢? — solta a fumaça me olhando:

Eu: — 𝘋𝘊𝘱𝘊𝘯𝘥𝘊 𝘥𝘢 𝘱𝘊𝘳𝘚𝘶𝘯𝘵𝘢, 𝘮𝘢𝘎 𝘰𝘬, 𝘧𝘢ç𝘢.

Tom: — 𝘗𝘰𝘳 𝘲𝘶𝘊 𝘷𝘰𝘀ê 𝘷𝘊𝘪𝘰?

Eu: — 𝘜é, 𝘱𝘰𝘳𝘲𝘶𝘊 𝘷𝘰𝘀ê 𝘮𝘊 𝘀𝘩𝘢𝘮𝘰𝘶. — respondo confusa.

Tom: — 𝘝𝘰𝘀ê 𝘊𝘯𝘵𝘊𝘯𝘥𝘊𝘶...

Viro o olhar pra rua.
Olho para ele de novo.
— 𝘌𝘶 𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘀𝘰𝘮 𝘧𝘰𝘮𝘊. — finalmente respondo.

Tom ri.
— 𝘊𝘭𝘢𝘳𝘰. — diz sorrindo.

Eu: — 𝘝𝘰𝘀ê 𝘱𝘊𝘳𝘚𝘶𝘯𝘵𝘰𝘶 𝘎𝘊 𝘊𝘶 𝘊𝘎𝘵𝘢𝘷𝘢 𝘀𝘰𝘮 𝘧𝘰𝘮𝘊 𝘶é.

Tom: — 𝘌 𝘷𝘰𝘀ê 𝘥𝘪𝘎𝘎𝘊 𝘲𝘶𝘊 𝘵𝘢𝘷𝘢.

Eu: — 𝘌𝘯𝘵ã𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘯𝘵𝘰. — dou de ombros.

Tom: — 𝘌𝘯𝘵ã𝘰 𝘱𝘳𝘰𝘯𝘵𝘰! — ele ri.

Sorrio de volta.
Ele solta a fumaça para o lado e se aproxima de mim.

O encaro.
Ele está perto demais.

— 𝘗𝘢𝘳𝘢 ... — falo baixo.

Tom: — 𝘗𝘢𝘳𝘢 𝘰 𝘲𝘶𝘊? — ele diz baixinho também.

Eu: — 𝘋𝘊 𝘮𝘊 𝘰𝘭𝘩𝘢𝘳 𝘢𝘎𝘎𝘪𝘮. — desvio o olhar dele, olho para o chão.

Tom: — 𝘈𝘎𝘎𝘪𝘮 𝘀𝘰𝘮𝘰? — ele morde o piercing.

Lá vem.

Eu: — 𝘝𝘰𝘀ê 𝘎𝘢𝘣𝘊...

Tom: — 𝘕ã𝘰 𝘎𝘊𝘪, 𝘮𝘊 𝘊𝘹𝘱𝘭𝘪𝘀𝘢... — ele se aproxima um pouco mais, a ponto de eu conseguir ouvir sua respiração.

Meu coração acelera.
Sinto calor.

Ameaço falar alguma coisa.
Mas não falo.

Ficamos nos encarando, perto demais.

Desvio os olhos.
—  𝘈𝘀𝘢𝘣𝘰𝘶. — digo.

Tom: — 𝘖 𝘲𝘶𝘊 ? — diz confuso.

Eu: — 𝘚𝘊𝘶 𝘀𝘪𝘚𝘢𝘳𝘳𝘰. — olho em direção a mão dele.

Tom: 𝘈𝘩 𝘎𝘪𝘮. — ele joga o cigarro apagado no lixo, perto da calçada.

Aproveito e me viro em direção a porta, para entrar.

Tom: — 𝘌𝘪 — ele diz me chamando.

Me viro para ele, esperando ele falar.

Tom: — 𝘝𝘰𝘀ê 𝘯ã𝘰 𝘳𝘊𝘎𝘱𝘰𝘯𝘥𝘊𝘶 𝘮𝘪𝘯𝘩𝘢 𝘱𝘊𝘳𝘚𝘶𝘯𝘵𝘢, 𝘥𝘰 𝘱𝘰𝘳𝘲𝘶𝘊 𝘷𝘰𝘀ê 𝘷𝘊𝘪𝘰. — diz parado.

Eu: — 𝘗𝘰𝘳𝘲𝘶𝘊 𝘊𝘶 𝘲𝘶𝘪𝘎, 𝘒𝘢𝘶𝘭𝘪𝘵𝘻. — respondo entrando.

Assim que chego à mesa eu percebo.

O que eu tinha respondido...

【. . . 】

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𝘊𝘢𝘭𝘮𝘢 𝘲𝘶𝘊 𝘷𝘊𝘮 𝘎𝘶𝘳𝘱𝘳𝘊𝘎𝘢 𝘱𝘰𝘳 𝘢í 🗣🗣🗣🗣🗣🗣🗣

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